Calor e umidade aumentam risco de infecções íntimas no verão


Médica cooperada da Unimed Curitiba aponta adoção de hábitos simples para prevenir doenças ginecológicas

O aumento das temperaturas, o contato frequente com água e o uso prolongado de roupas úmidas tornam o verão um período mais propício ao surgimento de infecções ginecológicas. Nessa época do ano, crescem as queixas relacionadas a corrimentos, irritações e desconfortos íntimos.

De acordo com a ginecologista Fernanda Villar Fonseca, médica cooperada Unimed Curitiba e integrante do corpo clínico do Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Fátima, o calor favorece principalmente desequilíbrios do ambiente vaginal, conhecidos como disbioses.

“As infecções mais comuns nesse período são a candidíase e a vaginose bacteriana, que surgem quando há alteração do equilíbrio vaginal relacionada a fatores ambientais e do próprio organismo”, explica.

A combinação de suor, abafamento e mudanças de temperatura pode interferir diretamente no pH vaginal, reduzindo a proteção natural contra microrganismos.

Entre os principais fatores de risco estão permanecer por muito tempo com biquíni molhado ou roupas de academia úmidas. “O ideal é trocar sempre que possível, já que a umidade favorece a proliferação da cândida”, alerta. Roupas muito justas ou feitas de tecidos sintéticos também dificultam a ventilação da região íntima. A recomendação é priorizar peças leves, soltas e calcinhas de algodão.

Higiene na medida certa

Apesar de maior necessidade de limpeza nos dias quentes, o excesso de banhos e produtos podem ser prejudiciais. “A higiene genital deve ser diária, mas o sabonete deve ser usado apenas uma vez ao dia. Nas demais lavagens, apenas água corrente é suficiente, pois o uso excessivo de produtos pode reduzir a flora protetora”, orienta a ginecologista.

Após praia, piscina ou exercícios físicos, a limpeza deve ser feita apenas externamente, com água fria ou em temperatura ambiente, evitando duchas vaginais sem orientação médica. O sabonete íntimo não é obrigatório, mas, quando utilizado, deve ser neutro e sem perfume ou parabenos.

Atenção aos sinais do corpo

“Nem todo corrimento indica doença”, aponta a médica. O corrimento fisiológico é transparente, sem odor e sem sintomas associados. “Mudanças de cor, cheiro, coceira ou ardência são sinais de alerta e devem ser avaliados pelo ginecologista”, destaca.

Outro hábito que merece cuidado é o uso diário de protetores de calcinha, que aumenta o abafamento local. O ideal é reservá-los para situações pontuais e optar por versões sem fragrância e priorizar os com cobertura de algodão e não de plástico.

A prevenção também passa pela alimentação. “Uma dieta equilibrada, rica em fibras, pobre em açúcar e carboidratos contribui para a saúde genital. Pessoas com alergias alimentares devem respeitar as restrições, pois alérgenos podem provocar vaginites de repetição”, explica.

A água do mar, por si só, não costuma prejudicar a saúde íntima, mas o cuidado deve ser maior em locais impróprios para banho. Para a especialista, pequenas mudanças de comportamento fazem diferença. “O verão não precisa ser sinônimo de desconforto íntimo. Medidas simples ajudam a preservar o equilíbrio natural da região genital e prevenir doenças”, conclui.

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