Uso de preservativos e testagem regular são fundamentais durante o período de festas, quando os comportamentos de risco aumentam
Com a intensificação de festas, blocos de rua e viagens durante o Carnaval, cresce também a exposição às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). O período costuma ser seguido por um aumento significativo na procura por exames e no número de diagnósticos positivos, reforçando a importância da prevenção e da testagem regular, mesmo na ausência de sintomas.
De acordo com o especialista em bacteriologia do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, Marcos Kozlowski, a testagem é uma das principais ferramentas para interromper a cadeia de transmissão das ISTs. “A exposição a infecções como sífilis, HIV e hepatites virais se torna uma realidade preocupante quando não há uso consistente de preservativos. Por isso, realizar exames após relações desprotegidas é fundamental para o diagnóstico precoce e início rápido do tratamento”, destaca.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), referentes a 2023/2024, indicam que mais de 1 milhão de pessoas contraem ISTs todos os dias no mundo, totalizando cerca de 374 milhões de novos casos anuais de infecções como sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase. No Brasil, o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids e IST do Ministério da Saúde (2024) aponta crescimento nos diagnósticos de sífilis adquirida e manutenção de números elevados de novos casos de HIV, com a Região Sul entre as que apresentam maiores taxas proporcionais. No Paraná, os registros seguem a mesma tendência.
Segundo Kozlowski, o LANAC realiza, em média, cerca de 200 testes diários para sífilis, com taxa de positividade entre 10% e 12%, o que representa aproximadamente 600 diagnósticos positivos por mês. Para o HIV, o laboratório também realiza cerca de 200 testes diários, com taxa de positividade próxima de 1%, resultando em cerca de 60 casos confirmados mensalmente.
“Nos exames de HIV, seguimos um protocolo rigoroso. Sempre que um resultado positivo é identificado, o teste é repetido para garantir a precisão e evitar falsos positivos. O falso negativo pode ocorrer apenas dentro da chamada janela imunológica, que varia de 15 a 30 dias após a exposição. Fora desse período, com os protocolos corretamente seguidos, a chance de erro é mínima”, explica.
Meses de maior risco
Historicamente, os meses que sucedem o Carnaval concentram maior volume de exames e diagnósticos positivos. “Março costuma ser um dos períodos com mais resultados reagentes para ISTs. Isso reflete o impacto direto dos comportamentos de risco durante as férias e as festividades. Por isso, a recomendação é buscar testagem mesmo sem sintomas”, afirma o especialista.
Muitas ISTs podem permanecer assintomáticas em seus estágios iniciais, o que dificulta a identificação sem exames laboratoriais. A sífilis, por exemplo, é uma infecção curável, mas que pode evoluir para formas mais graves quando não diagnosticada precocemente. “Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis pode afetar desde a pele até o sistema nervoso. O acompanhamento e a testagem periódica são essenciais para evitar complicações”, detalha Kozlowski.
Além do tratamento, a prevenção segue como principal estratégia para conter o avanço das ISTs. O uso correto e consistente de preservativos, aliado ao acesso à informação e à realização regular de exames, forma a base de uma resposta eficaz em saúde pública. “A prevenção é uma responsabilidade coletiva. Informação, conscientização e práticas sexuais seguras são fundamentais para um Carnaval mais seguro e para a redução das ISTs ao longo do ano”, conclui o especialista.
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