Em fevereiro, a Open – grupo de natação em águas abertas – traz a Curitiba (PR) a ultramaratonista aquática Thais Sant´Ana, especialista em provas de longa distância. A atleta fará uma palestra na sexta-feira (27) e vai conduzir a clínica – oficina técnica intensiva de natação – no sábado (28), na represa do Passaúna.
A nadadora, que começou na natação aos cinco anos de idade, se destaca por ser a primeira mulher capixaba e a 10a brasileira a atravessar o Canal da Mancha (2024, 11h03min) e a concluir a volta à Ilha de Manhattan, em Nova York (2025, 47 km em 8h25min).
Segundo a atleta, a proposta da oficina no Passaúna é orientar nadadores com diferentes níveis de experiência em travessias. “A gente vai praticar ao vivo fundamentos importantes da natação em águas abertas, como largada, chegada, contorno de boias, navegação e economia de energia. É muito agregador participar desse tipo de clínica, porque sempre existe troca e aprendizado”, afirma.
De acordo com a ultramaratonista, que é profissional de Educação Física e especialista em biomecânica, a natação em águas abertas tem atraído cada vez mais praticantes, por ser um esporte democrático e que promove uma vivência que vai além do exercício físico. “Além do desafio esportivo, envolve a natureza e também a família. É um esporte que exige dedicação, mas a recompensa é poder viver aquilo para o qual você treinou tanto”, diz.
Lançada em 2025, a Open tem o propósito de integrar nadadores com diferentes níveis de experiência em uma comunidade de apaixonados por natação em águas abertas. Além das oficinas com a equipe de nadadores do grupo, a proposta é também promover clínicas com nadadores renomados. Já no lançamento, em outubro do ano passado, a Open promoveu palestra e clínica de natação com a maratonista aquática brasileira e medalhista olímpica, Poliana Okimoto.
Da transição da piscina para águas abertas aos desafios das travessias
Responsável técnico da Open, o triatleta e treinador Mauricio Letzow explica que um dos objetivos do grupo é orientar a transição da piscina para a natação em ambientes naturais. “Nosso objetivo é oportunizar que as pessoas experimentem a natação em águas abertas de forma orientada e segura. Quem treina só em piscina encontra um ambiente controlado; já em águas abertas, o nadador se depara com uma imensidão, sem referência visual, o que exige adaptação”, explica.
O treinador reforça que a prática em águas abertas exige cuidados específicos, principalmente para quem está começando. Ele orienta que o nadador nunca pratique sozinho em mares, lagos e represas e priorize treinos em grupo, com supervisão de profissionais experientes e apoio de embarcações como caiaque, prancha ou stand up paddle. Outro item essencial é o uso da boia de sinalização presa à cintura, que permite a visualização do nadador e pode servir de apoio em caso de cansaço ou desconforto. “Também é importante que a pessoa já saiba nadar em piscina, tenha o mínimo de técnica e consiga dar algumas braçadas antes de migrar para as águas abertas. Nos treinos, a gente faz a ambientação, não o ensino do nado”, esclarece.
A professora de natação e empresária Vivian Yabu, de União da Vitória, participou do primeiro encontro da Open em 2026, em janeiro, e pretende repetir a experiência. “Foi espetacular. A equipe foi muito acolhedora e receptiva; os professores acompanharam o tempo todo e a estrutura é impecável, com segurança, apoio e organização. Mas o que mais me chamou atenção foi o propósito do grupo. Quero participar de outros encontros sempre que for possível e já estou indicando para muita gente”, relata.
Além da orientação a nadadores com pouca experiência em águas abertas, o grupo também pretende auxiliar os dispostos a enfrentar desafios como travessias e maratonas aquáticas. “O calendário nacional e internacional de provas é cada vez maior e o número de participantes também. A natação em águas abertas é uma tendência mundial, em função da busca por atividades ao ar livre que desafiam e proporcionam bem-estar e que são transformadoras para quem vive a experiência”, completa.
As oficinas de verão da Open estão preparando atletas que pretendem participar do Ironman 70.3 Curitiba, no dia 8 de março. A prova de triathlon terá 1,9 km de natação na Represa do Passaúna, 90,1 km de ciclismo e 21,1km de corrida. A etapa em Curitiba é parte de um circuito mundial com mais de 100 provas pelo mundo, em todos os continentes. “É importante que o atleta não vá direto para a prova sem vivenciar o ambiente natural. O espaço da Open fica no mesmo cenário da prova de natação. Treinar no local da competição ajuda na ambientação e na compreensão das adversidades, como vento, marola e correnteza”, explica Letzow.
Sobre a Open
Idealizada pelo empresário e nadador Marcelo Almeida e por Maurício Letzow, a Open se define como uma comunidade voltada a pessoas de diferentes níveis técnicos, interessadas em vivenciar a natação em ambientes naturais. “Não é um clube nem uma assessoria esportiva, é uma comunidade que gosta de água. Gente precisa de gente para ser gente. A proposta é reunir pessoas para nadar, conviver e se desafiar”, resume Almeida.
Além dos encontros e clínicas, a Open também planeja organizar viagens que unem travessias em águas abertas, turismo e convivência entre os participantes. A proposta é formar um calendário progressivo de provas e travessias no Brasil e no exterior ao longo de 2026.
As atividades regulares da Open acontecem no sítio Halus, uma área que fica às margens do lago do reservatório do Passaúna, na divisa com Campo Largo, que tem águas mansas e atividades aquáticas monitoradas. Nos encontros, os percursos são sinalizados e os participantes têm o apoio de nadadores experientes e equipamentos de segurança adequados para a natação em águas abertas.
As informações sobre os encontros e o calendário de eventos estão disponíveis em souopen.com.br.
Inscrições para a clínica de natação em águas abertas com Thais Sant´Ana no link: https://souopen.com.br/clinica-aguas-abertas-thais-santana-curitiba/ .
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