Sustentabilidade, tecnologia e foco na experiência: novas gerações redesenham mercado imobiliário nacional
Do setor da construção civil à
criação de ferramentas digitais, presença de jovens profissionais impulsiona
novos modelos de moradia e empreendimentos cada vez mais inteligentes
As transformações
recentes no mercado imobiliário brasileiro têm sido impulsionadas pela
crescente presença de profissionais das gerações Z e Y (Millennials) na
concepção dos empreendimentos e modelos de moradia.
Os novos
“jeitos de morar” – que focam a experiência, comodidade e conectividade –
incluem categorias como as moradias universitárias, por assinatura (flex
living ou residência como serviço), compartilhadas (coliving),
multigeracionais e multipropriedade.
Além dos
diferentes formatos habitacionais, os jovens profissionais contribuem para o uso
da tecnologia na automação baseada em inteligência artificial e Internet
das coisas (IoT), e também na gestão profissional, por exemplo, de garagens,
academias, mini mercados e locações flexíveis.
A sustentabilidade
também tem ganhado força com as novas gerações, que estão influenciando
decisões importantes na construção civil, pressionando o setor a incorporar
soluções alinhadas às agendas de responsabilidade ambiental, social e de
governança (ESG).
De acordo com o
incorporador Gabriel Falavina, sócio e CEO da ALTMA, as mudanças
partem não apenas das preferências dos jovens como consumidores imobiliários,
mas também da forma de pensar os produtos imobiliários. “São gerações
que valorizam estudos e projeções sobre os mais diversos aspectos da moradia e,
de forma estratégica, pensam empreendimentos e soluções para atender, nos
mínimos detalhes, os anseios e expectativas de cada público-alvo”,
avalia.
Pioneira no modelo
de empreendimento de student housing de incorporação no país, a
ALTMA construiu o primeiro edifício de moradia por assinatura de
Curitiba e também o primeiro multirresidencial carbono zero do Brasil. A
incorporadora foi fundada por Falavina quando ele tinha 26 anos de idade.
Atualmente, tem na equipe 40% de profissionais com menos de 30 anos.
Na empresa, a
geração Z atua em áreas como Engenharia, Desenvolvimento de Produtos,
Sustentabilidade e Novos Negócios. “Além de contribuírem para estarmos
sempre à frente nas principais tendências da construção civil, eles aproximam
os projetos das expectativas de um público mais jovem e conectado às
transformações urbanas”, diz. Segundo estudo recente da Brain Inteligência
Estratégica, a geração nascida entre 1995 e 2010 já representa 46% das
pessoas que buscam imóveis no Brasil.
A visão da geração Z sobre o futuro da moradia
O engenheiro civil
e analista de Novos Negócios da ALTMA, Enzo Moresco, de 24
anos, observa que as mudanças no comportamento das novas gerações têm
impactado diretamente o desenvolvimento de produtos imobiliários. “O mercado
imobiliário está passando por uma transformação importante, em que os
empreendimentos são cada vez mais pensados a partir do comportamento das
pessoas, e não apenas do imóvel em si”, diz.
Segundo ele, essa
mudança também ajuda a explicar o crescimento de novos modelos de moradia. “A
nova geração tende a enxergar a moradia menos como patrimônio e mais como parte
de um estilo de vida. Com maior mobilidade e novas formas de trabalho e estudo,
cresce a demanda por moradias mais flexíveis e com gestão profissional, como
coliving e moradia estudantil”, completa.
Para Marcos
Marroni (26) da área de Controladoria da ALTMA, essas novidades
abraçam o “jeito de morar” das novas gerações, que valorizam fatores como
localização, mobilidade e acesso a serviços no entorno dos empreendimentos. “Hoje
existe uma busca muito maior por praticidade e por localização estratégica.
Muitas pessoas querem morar perto do trabalho e de serviços que facilitem o dia
a dia, justamente para reduzir deslocamentos e ganhar qualidade de vida”,
avalia.
Para Analena
Bordin, de 21 anos, estagiária da ALTMA e estudante de Arquitetura,
os projetos hoje são cada vez mais orientados pelo perfil do público. “O
empreendimento passa a ser pensado como um produto, desenvolvido a partir de
estudos sobre estilo de vida, hábitos e expectativas dos moradores”. Ela
destaca que empreendimentos projetados para modelos como o student housing,
construídos exclusivamente para estudantes perto das universidades, seguem
lógica própria. “As unidades são entregues mobiliadas, equipadas, decoradas, e costumam ser mais compactas. A
experiência do morador acontece principalmente nas áreas compartilhadas, com
espaços de estudo, convivência e serviços voltados à rotina dos estudantes”.
Com 23 anos,
a engenheira civil Anny Schaedler faz parte da equipe de projetos da
ALTMA. Para ela, uma das principais mudanças do mercado imobiliário está na
forma como as novas gerações se relacionam com o espaço de morar. “Hoje
vemos uma transição da valorização da metragem quadrada para a valorização da
conveniência e da experiência. As novas gerações aceitam apartamentos mais
compactos, desde que o empreendimento ofereça boas áreas comuns, como
coworking, academias e serviços”, pontua.
Para a jovem
profissional, a tecnologia também passou a ser um requisito básico. “Soluções
como fechaduras digitais, controle de acesso inteligente, smart lockers e
aplicativos de gestão condominial já fazem parte das expectativas dos moradores”,
completa.
As novas gerações e a construção civil verde
A
sustentabilidade, em alta no mercado imobiliário, também é resultado da
participação das novas gerações – mais preocupadas com o meio ambiente – no
setor da construção civil. E os jovens profissionais querem trabalhar em
empresas ambientalmente responsáveis. Uma pesquisa recente da empresa global
Deloitte mostra que 70% dos profissionais da Geração Z e dos Millennials
consideram que as credenciais ambientais das empresas são importantes na
escolha do emprego.
O mesmo
levantamento mostra que quase dois terços dos jovens estão dispostos a pagar
mais por produtos sustentáveis. E isso inclui o mercado imobiliário. Para o
engenheiro civil Iago de Oliveira, consultor de sustentabilidade da Bloco Base, parceira da ALTMA nos
projetos, “a chamada green pressure — a pressão ambiental sobre o consumo —
aparece muito forte na construção civil. Além da eficiência energética, do uso
responsável dos recursos naturais e redução das emissões e resíduos de obras,
pesa a questão da mobilidade. As pessoas buscam empreendimentos mais conectados
ao transporte público e a alternativas ao uso do carro. Existe uma tendência
clara de maior integração entre os empreendimentos e a cidade. Em vez de
condomínios isolados, vemos projetos com fachadas ativas, térreos comerciais e
áreas abertas que estimulam a convivência urbana”, destaca.

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