7 direitos previdenciários que pouca gente conhece depois de um acidente


Especialista explica quais garantias previstas pelo INSS podem ser asseguradas ao trabalhador após um acidente, mesmo quando ele acontece fora do ambiente de trabalho

Quando uma pessoa sofre um acidente, a primeira preocupação costuma ser a recuperação da saúde. Mas, dependendo da gravidade da lesão, também podem surgir dúvidas sobre afastamento do trabalho, renda e benefícios previdenciários. O que muitos brasileiros não sabem é que o INSS prevê uma série de direitos que vão além do auxílio por incapacidade temporária e que, em muitos casos, também se aplicam a acidentes ocorridos fora do ambiente de trabalho.

Para o advogado especialista em Direito Previdenciário David Mello, sócio-fundador do escritório Mello e Furtado Advocacia, o desconhecimento faz com que muitos trabalhadores deixem de requerer benefícios aos quais têm direito.

"Muitas pessoas acreditam que o INSS só oferece proteção quando o acidente acontece durante o expediente ou dentro da empresa. Na realidade, a Previdência Social protege diversas situações, desde que os requisitos previstos em lei sejam atendidos."

Confira sete direitos previdenciários que merecem atenção:

1. O auxílio por incapacidade temporária pode ser concedido mesmo em acidentes fora do trabalho

Acidentes domésticos, esportivos ou de trânsito também podem gerar direito ao benefício, desde que o segurado fique temporariamente incapaz para exercer sua atividade profissional.

"O que importa é a incapacidade para o trabalho, e não necessariamente o local onde o acidente ocorreu."

2. O auxílio-acidente pode ser pago mesmo após o retorno ao trabalho

Pouca gente sabe que esse benefício possui natureza indenizatória. Quando o trabalhador retorna às suas atividades, mas permanece com sequelas permanentes que reduzem sua capacidade laboral, pode ter direito ao auxílio-acidente.

"Muitas pessoas voltam a trabalhar normalmente e imaginam que perderam qualquer direito perante o INSS. Em determinadas situações, isso não acontece."

3. Nem toda sequela precisa impedir completamente o trabalho

O auxílio-acidente não exige incapacidade total. Basta que a sequela reduza, ainda que parcialmente, a capacidade para exercer a atividade que o segurado desempenhava.

"Uma limitação permanente, mesmo considerada leve, pode gerar direito ao benefício, dependendo da análise do caso."

4. A reabilitação profissional também é um direito do segurado

Quando o trabalhador perde a capacidade de exercer sua profissão habitual, mas ainda pode desempenhar outra atividade, o INSS pode oferecer um programa de reabilitação profissional para facilitar seu retorno ao mercado de trabalho.

"O objetivo da Previdência não é apenas conceder benefícios, mas também possibilitar que o segurado volte a exercer uma atividade compatível com sua nova condição de saúde, quando isso for possível."

5. O tempo de afastamento pode contar para a aposentadoria em determinadas situações

O período em que o segurado recebeu benefício por incapacidade pode ser computado para fins previdenciários quando houver retorno à atividade e continuidade das contribuições, conforme prevê a legislação e a jurisprudência aplicável.

"Muitas pessoas acreditam que o tempo de afastamento é simplesmente perdido, quando, em determinadas situações, ele pode ser considerado no histórico previdenciário."

6. Quem fica permanentemente incapaz pode ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente

Quando a perícia médica concluir que o segurado não possui condições de retornar ao trabalho nem de ser reabilitado para outra atividade, poderá ser concedida a aposentadoria por incapacidade permanente, desde que preenchidos os requisitos legais.

"A análise leva em consideração a condição de saúde, a possibilidade de reabilitação e as características de cada segurado."

7. A negativa do INSS não significa que o direito acabou

Benefícios negados administrativamente ainda podem ser objeto de recurso ou de ação judicial, dependendo das circunstâncias.

"Nem toda decisão do INSS é definitiva. Existem casos em que a documentação médica demonstra uma realidade diferente daquela apontada na perícia administrativa, tornando possível discutir o direito pelas vias adequadas."

Informação faz diferença

Conhecer os direitos previdenciários é tão importante quanto buscar atendimento médico após um acidente.

"Cada situação possui particularidades e deve ser analisada individualmente. Muitas pessoas deixam de receber benefícios simplesmente porque desconhecem seus direitos ou acreditam que a negativa inicial do INSS encerra a discussão. Buscar orientação especializada pode evitar prejuízos financeiros justamente em um momento em que o trabalhador precisa de proteção."

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