Após lançamento em Portugal, na Espanha e participação na Flip, a escritora apresenta Se Não Me Falha a Memória na Livraria Arte & Letra, no próximo dia 31.
Primeiro você escreve para si mesmo e depois escreve para o mundo. Certo? Nem sempre. Fernanda Ávila passou a "vida inteira" escrevendo e editando para os outros. Há pouco mais de um ano, porém, decidiu escrever seu primeiro romance, Se Não Me Falha a Memória. Concluído em 2026, o livro já foi lançado em Lisboa e Barcelona, chega à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) no próximo dia 23 e será lançado na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo, no dia 28. Em Curitiba o lançamento será no dia 31, na Livraria Arte & Letra.
Em Se Não Me Falha a Memória, Fernanda Ávila constrói um romance ao mesmo tempo delicado e implacável sobre a experiência feminina, o envelhecimento e sentimentos difíceis de nomear. A protagonista, uma narradora sem nome, atravessa os últimos dias de sua existência enquanto trabalha em uma lavanderia. Roupas, lembranças e observações do cotidiano se misturam enquanto ela costura memórias que dão corpo ao romance. Revisita um casamento sem paixão, a maternidade vivida mais como dever do que como escolha, a solidão e um desejo inexorável que insiste em sobreviver ao tempo.
Passado e presente se entrelaçam sem obedecer a uma cronologia rígida. A narradora avança e recua nas recordações, ora fiel aos fatos, ora reinventando-os, num movimento em que memória e imaginação se tornam inseparáveis. O romance rejeita idealizações sobre o feminino para acompanhar uma mulher comum, cuja vida foi consumida por tarefas e expectativas. Silêncios até. Ao final, resta-lhe aquilo que ninguém pode organizar por ela: a tentativa de compreender quem foi.
A escrita acompanha esse percurso interior. Sem recorrer ao sentimentalismo, Fernanda conduz a narrativa por pequenas cenas e imagens de forte carga simbólica. O resultado é um romance em que a delicadeza não suaviza os conflitos nem poupa o leitor do desconforto.
O livro nasceu de um processo rigoroso. Acostumada a escrever, editar e lapidar textos alheios, Fernanda precisou encontrar uma voz capaz de sustentar uma ficção longa sem abrir mão da precisão que marcou sua trajetória no jornalismo e na edição. A disciplina foi importante, já que o romance exigiu, sobretudo, disponibilidade para ouvir uma personagem que se formava aos poucos, em detalhes.
“O romance gira em torno das memórias de uma narradora rabugenta, de humor corrosivo, politicamente incorreta, sem papas na língua. Mas o que mais tem me chamado a atenção desde que foi lançado, é a identificação das leitoras e leitores com uma anti-heroína, uma personagem tão cheia de defeitos”, conta Fernanda sobre as primeiras impressões da leitura.
Origem escolhida
Natural de Porto Alegre, Fernanda Ávila fez de Curitiba sua cidade de origem. Atualmente vive em Portugal, país com o qual mantém uma relação afetiva antiga. No início dos anos 2000, também morou por lá. Formada em Jornalismo, trabalhou como repórter e editora antes de se dedicar ao mercado editorial. É uma das fundadoras da Agência Pulp Edições e da Amora Livros e, desde 2023, desenvolve projetos e eventos voltados à literatura contemporânea escrita por mulheres.
De volta a Curitiba, em uma visita de médico, ela conversa com o público sobre Se Não Me Falha a Memória, com mediação de Pedro Jucá. Será uma oportunidade para falar sobre o livro, memória, literatura e os caminhos que atravessam sua escrita.
“Em Se Não Me Falha a Memória, Fernanda Ávila estreia como uma veterana, construindo, com tinta fresca e punho forte, de precisão enxuta, uma personagem que ao mesmo tempo nos constrange e comove – que ao mesmo tempo arranca riso e faz brotar lágrima. Um livro sobre a glória e a tragédia de quem, para sobreviver, precisa tanto se lembrar, quanto se esquecer. Pedro Jucá, autor de Amanhã tardará e Coisa amor.
“É um alívio quando uma voz dissonante rompe o coro da literatura. A narradora de “Se não me falha a memória” tem uma voz para lá de única. Sarcástica, aguçada, obscena, ácida e, às vezes, até preconceituosa. Uma voz que rompe toda e qualquer idealização do feminino, ainda mais quando levamos em conta a sua idade, algo em torno dos setenta anos.” Giovana Madalosso, autora de Tudo pode ser roubado, Suite Tóquio e Batida só.
Serviço
Lançamento de Se Não Me Falha a Memória
Com: Fernanda Ávila
Mediação: Pedro Jucá
Data: 31 de julho (sexta-feira)
Horário: 19h
Local: Livraria Arte & Letra
Rua Desembargador Motta, 2.011 – Curitiba (PR)

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