Fisioterapeuta explica por que as baixas temperaturas aumentam o desconforto em músculos e articulações e orienta sobre hábitos que ajudam a prevenir lesões durante o inverno
Com a chegada do inverno, muitas pessoas passam a sentir mais dores nas articulações, nos músculos e na coluna. A percepção não é apenas uma impressão: as baixas temperaturas provocam alterações fisiológicas que podem aumentar o desconforto, especialmente em quem já convive com doenças como artrose, artrite, tendinites e fibromialgia. Além disso, a redução da prática de atividades físicas durante os dias frios contribui para agravar esses quadros.
Segundo a coordenadora do curso de Fisioterapia da Estácio, professora Adriane Mazola Russ, o frio provoca mudanças no funcionamento do organismo que favorecem o aparecimento ou a intensificação das dores. "O frio realmente pode intensificar dores articulares, e isso tem explicação fisiológica. As baixas temperaturas provocam vasoconstrição, diminuindo a circulação sanguínea e deixando músculos e articulações mais rígidos. Além disso, o líquido sinovial — responsável por lubrificar as articulações — tende a ficar mais espesso, o que aumenta a sensação de desconforto. Existe também um componente comportamental: no inverno, as pessoas se movimentam menos, o que favorece a rigidez. O fator psicológico pode amplificar a percepção da dor, mas não é o principal responsável."
Quais doenças pioram no inverno?
De acordo com a fisioterapeuta, as doenças que mais costumam se agravar nesta época do ano são artrose, artrite, tendinites, bursites, dores musculares e fibromialgia. "Isso ocorre porque o corpo responde ao frio com redução da elasticidade muscular, menor lubrificação articular e aumento da tensão muscular. Em algumas pessoas, o frio também intensifica processos inflamatórios já existentes. Somado a isso, a diminuição da atividade física típica do inverno contribui para piorar quadros de dor crônica."
Sentir certa rigidez ao acordar ou um leve desconforto que melhora com o movimento pode ser considerado normal durante os dias mais frios. No entanto, Adriane alerta que alguns sintomas indicam a necessidade de procurar atendimento profissional. "Dor intensa que limita atividades do dia a dia, inchaço persistente, vermelhidão ou calor local, travamentos frequentes, perda de força, dor que piora mesmo em repouso. Se o desconforto durar mais de 7 a 10 dias, é recomendável buscar orientação."
Alongamento exige cuidados extras
Quem pratica exercícios físicos também deve redobrar a atenção no inverno. Segundo a especialista, o aquecimento passa a ser ainda mais importante antes de qualquer atividade. "No inverno, o corpo precisa de mais tempo para aquecer", diz Adriane. Por isso, ela diz que o ideal é realizar um aquecimento leve — como caminhada curta ou exercícios de mobilidade — antes de iniciar o alongamento. "Alongar com o corpo frio aumenta o risco de microlesões", alerta. Também, segundo ela. é importante usar roupas adequadas para manter a musculatura aquecida e progredir a intensidade dos exercícios de forma gradual, especialmente em treinos matinais.
Além da prática regular de exercícios, alguns cuidados simples no dia a dia ajudam a proteger músculos e articulações durante o inverno. A professora recomenda evitar permanecer sentado por longos períodos, levantando-se a cada 40 a 60 minutos, ajustar a ergonomia no ambiente de trabalho, manter a hidratação mesmo quando a sensação de sede diminui, usar roupas que conservem o calor corporal e fazer pausas ativas ao longo do dia. Segundo ela, essas medidas contribuem para reduzir a rigidez muscular e a sobrecarga nas articulações.
Erros mais comuns e recomendações
Quando as dores aparecem, muitas pessoas optam por interromper completamente a atividade física ou recorrer à automedicação. Para Adriane, essas atitudes podem dificultar a recuperação.
Entre os erros mais comuns, a fisioterapeuta elenca:
* interromper totalmente a atividade física,
* abusar de anti-inflamatórios,
* aplicar calor ou gelo sem orientação; e
* esperar que a dor desapareça sozinha.
Já quanto às recomendações, Adriane orienta que a combinação de movimento, fortalecimento e ajustes na rotina costuma ser mais eficaz do que repouso prolongado. Entre as recomendações, ela orienta para:
* manter movimento leve;
* usar calor moderado para relaxar a musculatura;
* fortalecer a musculatura de maneira orientada; e
* procurar avaliação fisioterapêutica quando a dor persiste.

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