Pioneira na luta pela participação das mulheres na arte, na política e na sociedade, a compositora Chiquinha Gonzaga volta a ser homenageada em Curitiba. Sua obra e sua vida inspiram o concerto “Chiquinha Gonzaga na Colombo”, apresentado pela orquestra feminina Ladies Ensemble no Auditório Regina Casillo, no dia 24 de outubro, às 18h30. O espetáculo estreou no ano passado, no mesmo palco, e retorna agora dentro do projeto Música e Literatura, realizado pelo Solar do Rosário por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.
A montagem terá a participação da soprano Karolyne Liesenberg, do tenor Daniel Soufer e da regente convidada Ana Spadoni. Ela substituirá o maestro titular das Ladies Ensemble, Alexandre Brasolim, que está na China como integrante da Orquestra Sinfônica do Paraná.
Os ingressos custam R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira), mais taxas, e estão à venda no site da Disk Ingressos: www.diskingressos.com.br/
O Solar do Rosário é um centro cultural mantido pela iniciativa privada. O projeto é patrocinado pelas empresas Oregon, Brose, Cartório da Barreirinha, Grasp, Impextraco e Supermercados Tozetto. Conta também com apoio de emenda parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba, da Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura de Curitiba. A coordenação geral é da diretora do Solar do Rosário, Lucia Casillo Malucelli, enquanto Fabiola Bach Akel assina a direção artística e musical.
Pioneira no palco e na vida
Um dos grandes sucessos do repertório das Ladies Ensemble, o concerto “Chiquinha Gonzaga na Confeitaria Colombo” reúne clássicos da compositora e músicas que ela escreveu para operetas e para o teatro. A apresentação também intercala textos curtos que contextualizam sua obra e resgatam passagens da vida da artista, reconhecida por seu pioneirismo em diversas frentes.
Chiquinha foi uma das primeiras musicistas de choro, compôs a primeira marcha de Carnaval — “Ó Abre Alas”, em 1899 — e também foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, entre outros feitos ousados para a época. Naquele período, até mesmo trabalhar fora de casa era pouco usual e, muitas vezes, reprovado quando se tratava de uma mulher.
Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu em 1847, no Rio de Janeiro, e morreu em 1935, na mesma cidade, então capital do país. Ao longo da vida, marcou profundamente a cultura e a sociedade brasileiras. Muito à frente de seu tempo, foi abolicionista e republicana, além de enfrentar o conservadorismo que relegava as mulheres a um segundo plano. Filha de Jorge Basileu Gonzaga, general do Exército Imperial Brasileiro, e de Rosa Maria Neves de Lima, mulher negra e de origem humilde, Chiquinha enfrentou preconceitos ligados à sua origem e às escolhas que fez. Foi discriminada por criar o filho sozinha, romper dois casamentos e trabalhar para viver da música — atitudes que contrariavam as convenções sociais de seu tempo.
Na música, também teve o mérito de levar a música popular brasileira aos salões elegantes. É conhecida a passagem em que “Corta Jaca”, composição de Chiquinha Gonzaga e Machado Careca, foi tocada ao violão pela própria primeira-dama do Brasil, Nair de Teffé, em uma recepção no Palácio do Catete, então sede do governo federal. A apresentação agradou a muitos, mas também escandalizou parte dos presentes.
Celebrar a artista, tanto por sua obra quanto por sua história de vida, é sempre um momento especial para as Ladies Ensemble, conta a fundadora e diretora artística do grupo, Fabiola Bach Akel. “As Ladies são a primeira orquestra profissional formada exclusivamente por mulheres. Nosso trabalho de valorizar o protagonismo feminino na música, portanto, não poderia deixar de reverenciar tudo o que Chiquinha fez, não só pelas mulheres, mas também por todos os artistas”, afirma Fabiola. “Ela abriu espaço para a música brasileira e defendeu bandeiras importantes, como a dos direitos autorais, além de ter sido abolicionista e defensora de causas sociais. Uma das muitas passagens marcantes de sua vida foi quando vendeu uma de suas obras e, com o dinheiro, comprou a alforria de um músico escravizado, o flautista José Flauta.”
Segundo Fabiola, o título “Chiquinha Gonzaga na Colombo” homenageia também a Confeitaria Colombo, o mítico endereço carioca que reunia artistas, políticos e figuras de destaque e era muito frequentado pela compositora. “Buscamos essa ambientação para fazer as intervenções com textos curtos que, entre uma música e outra, vão recontar momentos marcantes da vida dela”, completa.
O repertório inclui “Saci Pererê”, “Annita”, “Dueto dos Pombos”, “Atraente”, “Luminárias e Diabo”, “Meditação”, “Carlos Gomes”, “Alfredo e Fina”, “Lua Branca”, “Luiz e Rosa” e “O Corta Jaca”.
Outubro movimentado
O retorno do espetáculo ao Auditório Regina Casillo faz parte de um mês movimentado no projeto Música e Literatura. No dia 31 de outubro, o espaço volta a receber as Ladies Ensemble com “Música de Cinema & Piazzolla”, concerto que combina trilhas sonoras de filmes de arte e obras de Astor Piazzolla. Os dois temas já foram apresentados em montagens anteriores da orquestra.
“Em sua jornada em busca da formação de público para a música clássica, o projeto construiu uma plateia fiel, que elegeu seus temas prediletos. Esses dois retornam agora reunidos em um só programa, a pedido do público”, conta a diretora do Solar do Rosário, Lucia Casillo Malucelli. “Temos tido uma temporada de sucesso, e a expectativa para esses dois próximos capítulos é de casa cheia.”
“Chiquinha Gonzaga na Colombo” — Espetáculo do projeto Música e Literatura, do Solar do Rosário, com a orquestra Ladies Ensemble
Única apresentação: 24 de outubro de 2026 (sábado), às 18h30
Local: Auditório Regina Casillo (Solar do Rosário) — Rua Lourenço Pinto, 500, Centro, Curitiba - PR
Ingressos: R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira), mais taxas
Vendas no Disk Ingressos: www.diskingressos.com.br/
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